Como transformar paixão em um amor para a vida toda

Quando pensamos em paixão, logo vem à mente aquele sentimento quente, intenso… Aquela sensação de pernas bambas, coração acelerado e que muitas vezes falta o ar. Sim, a paixão é o sentimento que sobrepõe à lucidez e à razão. Isso quer dizer que no momento da paixão não conseguimos enxergar defeitos. A sensação é de que a pessoa escolhida por nós é a perfeição em forma humana. Tudo que sentimos é bom, o momento é de pura euforia.

Paixão (sofrer) é um termo aplicado a um sentimento muito forte em relação a uma pessoa, objeto ou tema. A paixão é uma emoção intensa convincente, um entusiasmo ou um desejo sobre qualquer coisa. O termo também é aplicado com frequência para determinar um vívido interesse ou admiração por um ideal, causa ou atividade. Em suma, é um sentimento de excitação incomum ou de forte emoção. A palavra paixão é utilizada principalmente no contexto de romance ou de desejo sexual, embora, em geral, implique em uma emoção mais profunda ou mais abrangente do que sugere o termo “luxúria”.

Se o sentimento perdurasse por anos a fio seria perfeito, mas infelizmente não é bem assim. O grande problema da paixão é que ela é passageira, tem prazo de validade e à medida que ela vai diminuindo, descemos das nuvens e colocamos os pés no chão. Nossos olhos se abrem novamente e começamos a ver o óbvio – a pessoa ao nosso lado não é perfeita, afinal, ninguém é.

O amor romântico, celebrado ao longo dos tempos como um dos mais avassaladores de todos os estados afetivos, serviu de inspiração para algumas das conquistas mais nobres da humanidade; tem o poder de despertar, estimular, perturbar e influenciar o comportamento do indivíduo. Dos mitos à psicologia, das artes às relações pessoais, da filosofia à religião, o amor é objeto das mais variadas abordagens, na compreensão de seu verdadeiro significado.

Na concepção vulgar o termo amor encontra variadas significações que devem ser abordadas em sentidos próprios e respectivos, definidos em sentimentos e ações que muitas vezes se fazem impróprios à definição do sentimento, mas que podem ter ou não implicações nas demais percepções.

A gente começa a perceber que o jeito de ser dele tem características que muitas vezes nos irritam, e, quando o convívio começa a ser maior, como acontece no casamento, percebemos que existem fios de cabelo na pia e toalha molhada na cama. Falta consenso sobre para qual lado o papel higiênico deve ficar, os sapatos teimam em ficar largados pela casa, as meias somem na hora de lavar. Nessa hora um olhar pode ferir ou uma palavra machucar mais do que deveria. Chegamos ao momento crucial para definir o futuro do relacionamento, que a partir de então tem tudo para virar um campo de batalha.

No Ocidente, a flecha é o instrumento com que o deus grego do amor, Eros (ou Cupido, na versão latina), alveja os corações das pessoas, fazendo-as se apaixonarem. É assim, por exemplo, que ocorre quando, por capricho, este alveja Apolo fazendo o deus se apaixonar pela ninfa Dafne, enquanto a ela acerta com uma flecha de ponta redonda e de chumbo, capaz de assim torná-la avessa ao sentimento; tem início ali uma perseguição que termina quando a ninfa é transformada num árvore de louro.

Diferenças entre amor e paixão

Essa diferenciação já é antiga, para começar, vamos tomar como exemplo Platão. A paixão, em Platão, seria o desejo voltado exclusivamente para o mundo das sombras, abandonando-se a busca da realidade essencial. Em contraposição ao conceito de paixão na filosofia de Platão está o conceito de amor. O amor, ou seja, o amante busca no amado a Ideia – verdade essencial – que não possui. Nisto supre a falta e se torna pleno, de modo dialético, recíproco. O amor também não condena o sexo, ou as coisas da vida material.

Ao que se parece neste exemplo a paixão entra geralmente em contradição com a razão, muito valorizada por estas culturas tão distintas. Podemos notar que existe uma oposição entre os dois conceitos. Foi somente com o movimento romântico que houve a valorização da paixão sobre a razão na tradição ocidental. Ainda assim a relação entre paixão e amor e muito próxima, e em certas classificações a paixão é descrita como mais um tipo de amor.

Mas é possível transformar a paixão em um amor para a vida toda?

Claro que sim, com boa vontade é possível e recompensador. A paixão diminuiu e uma hora não resistiu, acabou. Começamos a expressar nossas opiniões, nosso parceiro também. E adivinhem? Na maioria das vezes elas não são iguais. Ele quer trocar o carro, você quer redecorar a sala. Ele quer ver o jogo na televisão e você quer sair um pouco.

É nesse momento que surgem muitos divórcios, mas, também é nessa hora, que muitos casais decidem lutar para ficar juntos, mesmo com todas as diferenças. E assim surgem os amores para a vida toda. E que fique claro, isso não quer dizer que eles aceitam viver uma vida infeliz. Ao contrário, eles decidem buscar o amor de verdade.

O amor de verdade une a razão e a emoção, mas requer esforço e disciplina. É o amor que aparece no momento em que o encantamento da paixão acaba e, ciente de todos os defeitos da outra pessoa, optamos por amá-la e fazê-la feliz. Então, conhecendo o outro por completo, em suas qualidades e defeitos, sonhos e dificuldades, ambos saberão encontrar a melhor maneira de expressar que querem, sim, estar juntos.

Pode soar sem graça. Faltam os sinos tocando, os fogos de artifício, o coração acelerado, mas sobra força de vontade. E o melhor, existe uma pessoa que sabe que você tem dezenas de defeitos, que você tem problemas, celulite e medo de barata, mas ainda assim, mesmo lhe conhecendo melhor que o resto do mundo, terá sido a escolhida. E acreditem, a nossa necessidade emocional não é a de nos apaixonarmos, mas sim de sermos verdadeiramente amados por outra pessoa. Um amor que brota da razão e opção, não do instinto, e por isso, dura para a vida toda.

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