Conspiração contra os governos da América Latina

Os EUA e os consórcios imperiais transnacionais (que controlam países e mercados com o dólar) já não precisam dos golpes militares para impor os seus projetos hegemônicos de dominação nos países emergentes e periféricos. E o módulo experimental mais importante de hoje é a América Latina (quintal dos EUA) onde o império ianque já instaurou o golpe midiático-judicial (ou golpe mole) em substituição do clássico golpe cívico-militar da década de 70.

Na década de 80 o departamento de estado norte-americano, iniciou a estratégia de domínio com a falsa bandeira da democracia e dos direitos humanos nos países da América Latina. Substituindo os militares “anti-comunistas” (treinados pelo Comando Sul) por políticos corruptos (empregados do sistema) eleitos por multidões alienadas e ignorantes nas urnas eleitorais.

A nova estratégia com o “Golpe mole”

A nova estratégia já não se apoia nos tanques e armas, mas na corporação midiática-judicial que substituiu as armas militares golpistas por estúdios de televisão, jornais e pódios judiciais, que se tornaram os novos quartéis da repressão e de controle social. Tecnicamente essa é uma substituição à repressão militar com a morte física pela repressão midiática-judicial com manipulação e morte cerebral. Já não se mata nem encarcera as massas, nem os militantes populares. É dessa forma que os integrantes dos governos anti-EUA com a alcunha de subversivos ou terroristas, mas que os condena como corruptos e violentos.

Neste cenário (e particularmente desde a morte de Hugo Chávez) estão sendo desenvolvidos os processos golpistas midiáticos-judiciais contra Cristina Kirchner na Argentina, Dilma Rousseff e Lula no Brasil, Rafael Correa no Equador e Evo Morales na Bolívia.

O Império contra-ataca

A estratégia faz parte de uma ofensiva do império dos EUA para libertar seu quintal latino-americano de governos não dóceis (de esquerda, estadistas e populares) que possibilitaram uma crescente influência regional (através de acordos estratégicos militares e comerciais) com a Rússia e com a China. Os protagonistas centrais de um novo eixo estratégico na disputa pelo controle do planeta ao bloco imperial EUA-Israel-Nato no âmbito da guerra inter capitalista projetada para a América Latina.

E nesse contexto se produz a fusão midiática-judicial do grupo Clarin, os grupos econômicos transnacionais e a classe social golpista (que colocaram Mauricio Macri na Casa Rosada) e aprisionaram a ex presidente Cristina Kirchner na Argentina. A mesma operação (alimentada pelas sombras das transnacionais e da embaixada dos EUA) está sendo executada aqui no Brasil para derrubar o governo de Dilma Rousseff.

Enquanto não conseguem tirar do poder Correa e Evo Morales para configurar assim um novo cenário de governos submissos e pró-EUA na América Latina. Em resumo, um novo processo histórico golpista “Made in EUA” na região, onde não se aponta para o corpo mas sim para o cérebro das maiorias. Para que legitimem eleitoralmente aos novos golpes de estado imperiais. Que substituem a repressão militar pela alienação com esvaziamento cerebral. Que as classes sociais elitistas, pró-EUA, legitimam com o seu apoio e seu voto nas urnas.

Pré-candidato dos EUA crítica Golpe na América Latina

‘EUA não podem continuar intervindo e derrubando governos na América Latina’, diz Bernie Sanders

Pré-candidato diz que intervenção dos EUA na região é ‘inaceitável’ e que, caso seja eleito, fomentará ‘relação baseada no respeito mútuo’ com países latino-americanos.

“Os Estados Unidos não podem continuar intervindo na América Latina e derrubando governos ou tentando desestabilizá-los por razões econômicas”, acrescentou o pré-candidato em uma conversa com o vocalista do grupo porto-riquenho Calle 13, René Pérez “Residente”.

“Temos que ser honestos. A história dos Estados Unidos em relação à América Latina foi a de uma nação poderosa, com o exército mais forte do mundo, dizendo: ‘Não gostamos deste governo, vamos derrubá-lo'”, disse o senador pelo estado de Vermont, acrescentando que “caos” e “massacres” sucederam esses golpes de Estado. “O futuro de cada país deve ser decido por seu povo, não pelos Estados Unidos”.

Sanders, que concorre com a ex-secretária de Estado Hillary Clinton pela candidatura democrata à Presidência dos EUA, afirmou que se chegar à Casa Branca fomentará “uma nova relação (com a América Latina) baseada no respeito mútuo” e criticou a atual administração do presidente Barack Obama por não ter feito o mesmo.

Golpe de Estado no Brasil

Setores de direita representantes da oligarquia, em convivência com a imprensa reacionária do Brasil, apoiados abertamente pelas transnacionais da comunicação e o imperialismo, consumaram, na Câmara dos Deputados, o primeiro passo do que constitui um golpe de estado parlamentar no Brasil.

Este golpe contra a democracia brasileira faz parte da contra-ofensiva reacionária da oligarquia e do imperialismo contra a integração latino-americana e os processos progressistas da região.

A Câmara dos Deputados do Brasil abriu o caminho ao impeachment de Dilma a submetê-la a um julgamento político, em uma votação que contou com 367 apoios frente a 137 contra, em um processo que deverá continuar no Senado. O golpe no Brasil também é dirigido contra os BRICS, que desafiaram a hegemonia do dólar norte-americano.

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