Conspiração do Aquífero Guarani

Existem diversas ONGS que denunciam uma conspiração de Washington – EUA para apoderar-se do Aqüífero Guarani na América do Sul. O fantasma da guerra pela água à espreita.

Aquífero Guarani foi o nome que, em 1996, o geólogo uruguaio Danilo Anton propôs para denominar um imenso aquífero que abrange partes dos territórios do Uruguai, Argentina, Paraguai e, principalmente, Brasil, ocupando 1 200 000 km². Na ocasião, ele chegou a ser considerado o maior do mundo: hoje, é considerado o segundo maior, capaz de abastecer a população brasileira durante 2 500 anos. A maior reserva atualmente conhecida é o Aquífero Alter do Chão, com o dobro do volume do Aquífero Guarani.

Distribuição do aquífero pelos estados brasileiros

  • Mato Grosso do Sul (213 700 km²)
  • Rio Grande do Sul (157 600 km²)
  • São Paulo (155 800 km²)
  • Paraná (131 300 km²)
  • Goiás (55 000 km²)
  • Minas Gerais (51 300 km²)
  • Santa Catarina (49 200 km²)
  • Mato Grosso (26 400 km²)

As águas tranquilas do Aqüífero Guarani, enorme reservatório de 1,2 milhões de quilômetros quadrados debaixo dos países do Mercosul, são o centro de uma polêmica. Um projeto de conservação do Aqüífero, iniciado em 2003, desatou uma guerra de acusações entre os encarregados de levá-lo adiante e organizações sociais que alertam sobre uma suposta conspiração liderada pelos Estados Unidos para apoderar-se da água.

Nos últimos três anos, cientistas, ambientalistas e governos elaboraram o Projeto para a Proteção Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani, com a intenção de conhecer sua potencialidade e os riscos que pode correr para a elaboração de modelos de gestão conjunta entre os países que o compartilham. Calcula-se que o Aqüífero, sob Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, tem cerca de 37 mil quilômetros cúbicos de água, mas podem ser explorados somente entre 40 e 80 quilômetros cúbicos em zonas de recarga.

O Centro de Militares pela Democracia Argentina (Cemida) afirmou, este ano, que a suposta atividade de grupos terroristas na Tríplice Fronteira (entre Brasil, Argentina e Paraguai) foi um pretexto de Washington para aumentar nessa região a sua presença militar e “apoderar-se do Aqüífero Guarani”, através do projeto de conservação. O Cemida é uma organização não-governamental pelos direitos humanos, fundada nos anos 80, que costuma adotar posições esquerdistas e está integrada por militares da reserva e civis.

Os Estados Unidos estruturaram um sistema para detectar a magnitude do Aqüífero, assegurar seu uso sustentável e evitar todo tipo de contaminação, e para isso pôs à frente da pesquisa o Banco Mundial, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e outros organismos que têm sob controle. Washington destinou ao projeto US$ 26 milhões e sugeriu a forma como participariam as comunidades indígenas e a sociedade civil para manter um permanente controle enquanto considerar conveniente.

O Brasil, tem sob seu território 71% do Aqüífero, e participaram desse projeto 176 instituições, entre organismos nacionais e estaduais, universidades e ONGS. As unidades nacionais do projeto, integradas por funcionários de cada país, elegeram a OEA como agência executora da iniciativa, que é financiada com US$ 13,4 milhões do GEF, US$ 12 milhões dos governos e o restante de outras organizações até completar US$ 26,7 milhões, ressaltou o especialista.

A rede brasileira Grito das Águas, que reúne cerca de 60 organizações, também questionou o projeto. “Não há transparência” nas contratações do projeto nem acesso à sua informação técnica, de modo que está negociando nossa soberania e nós não podemos saber a quem repassa a informação que recebe. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o GEF deveriam “auditar” o projeto. Por outro lado, “não é normal que haja boinas verdes (soldados do exército dos Estados Unidos) em Misiones e Entre Ríos (províncias do nordeste da Argentina) fazendo exercícios contra a dengue.

Se os governos quiserem privatizar o Aqüífero, será uma decisão dos países, não do projeto, a água é um bem social que tem um valor econômico, mas isso não significa um valor de venda. Trata-se de um recurso a ser preservado da contaminação para uso de todos. O uso da água, que em sua maior parte está abaixo dos mil metros, exigiria um bombeamento antieconômico e tecnicamente impossível. Outra coisa é o temor de que sejam privatizados poços ou sistemas de distribuição, mas isso depende dos governos. Em 1996 propôs dar o nome de Guarani à reserva de água subterrânea que possuía diferentes nomes em cada país. E o fez em homenagem à nação indígena que se assentava sobre essa região.

Base Americana na Tríplice Fronteira

Após a visita de Obama no mês passado, o presidente Maurício Macri acelerou as negociações para permitir que os norte-americanos construam duas bases militares em território argentino.

Uma base americana na Argentina seria construída nas proximidades da tríplice fronteira e outra bem mais ao sul, provavelmente nas proximidades de Ushuaia.

A base na Tríplice Fronteira, construída na província de Misiones, daria aos norte-americanos um potencial controle sobre regiões estratégicas para vários países, incluindo-se aí o aquífero Guarani e usina hidrelétrica de Itaipu.

“Não devemos esquecer que a Antártida é o maior corpo de água doce congelada do mundo.Precisamente nesse setor é onde nós discutimos a soberania Argentina, do Chile e da Grã-Bretanha. Na Península Antártica estão os maiores depósitos de hidrocarbonetos da região e há minerais altamente estratégicos que são essenciais para a indústria militar e aeroespacial. A meta dos Estados Unidos é ganhar o controle de nossos recursos naturais.“

A segunda base, na região de USHUAIA teria como objetivo o apoio à atividades científicas no continente Antártico. A intenção dos americanos seria manter toda a América Latina sob seu controle.

Sobre a visita do presidente norte-americana Obama a Casa Branca na época informou que a intenção seria:

“… explorar oportunidades para fortalecer a relação entre os Estados Unidos e Argentina e buscar parceria para enfrentar os desafios globais, como as alterações climáticas e a manutenção da paz”.

Próximo

Anterior

Deixe seu comentário

© 2009-2017 Intrometendo | Anuncie | Sobre | Política de Privacidade

Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Alló Digital