Conspiração Gramsciana

O termo revolução passiva ou Gramsciana foi reelaborado pelo filósofo e dirigente comunista italiano Antonio Gramsci. Ele retirou o conceito do livro “Saggio storico sulla rivoluzione di Napoli”, de Vincenzo Cuoco, que aborda a chamada Revolução Napolitana de 1799. Em síntese, significa uma forma de revolução burguesa em que é excluído o momento radical de tipo jacobino. Trata-se, em suma, de uma forma de transformação das sociedades com vistas à objetivação do modo de produção capitalismo sem que seja necessária uma participação popular, tal como aquela ocorrida na Revolução Francesa (1789-1799). A este conceito, Gramsci incorporou o sentido dado pelo historiador francês Edgar Quinet para o período da Restauração bourbônica (1815-1830) como de uma “revolução-restauração”.

Gramsci utiliza o conceito de “revolução passiva” para descrever o processo do Risorgimento italiano no século XIX, mas também é explícita sua utilização para a análise de outras formações sociais, como pode ser apreendido no seguinte trecho, retirado do seu Caderno 4: “O conceito de revolução passiva me parece exato não só para a Itália, mas também para os outros países que modernizaram o Estado através de uma série de reformas ou de guerras nacionais, sem passar pela revolução política de tipo radical-jacobino.” Assim, Gramsci utiliza o conceito para analisar o fascismo italiano e a conexão entre o padrão fordista de produção e a cultura norte-americana.

Existe semelhança entre o conceito de revolução passiva de Gramsci e o de “via prussiana” desenvolvido por Lenin, no texto “O programa agrário da social-democracia russa na primeira revolução russa” (1905-1907). Neste texto, Lenin concebe duas formas de resolução do problema agrário, a via norte-americana e a via prussiana. Segundo Lenin, nos EUA “não existem domínios latifundiários ou são liquidados pela revolução (Guerra Civil, expansão para o Oeste)”, enquanto na Prússia “a exploração feudal do latifundiário transforma-se lentamente numa exploração burguesa-junker, condenando os camponeses a decênios de exploração, ao mesmo tempo em que se distingue uma pequena minoria de Grossbauers (lavradores abastados)”. Em suma, não existe uma resolução jacobina da questão agrária; não há uma reforma agrária na Prússia, tal como houve na França e nos EUA.

Na sociologia histórica norte-americana, há no trabalho de Barrington Moore Jr. uma ideia similar expressa no conceito de “modernização conservadora”. No seu livro “Origens sociais da ditadura e democracia”, Barrington Moore faz uma comparação entre as formas de resolução do problema agrário e o tipo de sociedade criada a partir de então, comparando as histórias dos EUA, do Japão e da China.

Revolução Gramsciana

Quando se fala em Estratégia Gramsciana, a primeira pergunta que normalmente é feita é: quem é que organiza tudo isso? Há organizações mundiais financiando? Quem paga tudo isso? A pergunta, embora compreensível, não possui uma resposta imediata. Mas, diante da afirmação do próprio Gramsci de que era preciso estudar a organização e o desenvolvimento do Rotary Club, podemos ter uma pista. Por exemplo, é possível que a primeira estrutura de organização esteja presente na Itália, ou algum país da Europa? Isso talvez explique que o Velho Mundo esteja muito influenciado atualmente pelo liberalismo ou marxismo, mas com as bases conservadoras mais frágeis. É uma das explicações possíveis.

O que importa é que buscar definir um responsável central pela estratégia gramsciana, ou até um financiador externo, não é tão interessante no momento, pois isso poderá nos levar a elocubrações desnecessárias e elaboração de hipóteses também desnecessárias. A ideia da estrutura do Rotary é aquela na qual vou me apegar, pois é mais plausível e é uma explicação econômica.

A Fundação Rotária do Rotary Internacional é considerada uma das principais ONGs do mundo, sendo patrocinada exclusivamente por doações de rotarianos e outros que compartilham da mesma visão. Notem que não estou entrando no mérito das iniciativas rotarianas, estou tomando apenas a ORGANIZAÇÃO como modelo explicativo, por sugestão do próprio Gramsci. O que impediria, por exemplo, de, usando o mesmo modelo do Rotary, de criarmos grupos acadêmicos, centrados em universidades, aliados a várias ONGs, as quais recebem doações (da mesma forma que o Rotary), além da criação de estruturas de comando aliadas com o objetivo da propaganda Gramsciana? Em suma, é uma explicação que retira a necessidade de buscarmos agentes externos (por enquanto), e explica de forma bastante adequada o motivo pelo qual as iniciativas subversivas no Brasil e outros países tem sido tão resistentes, e baseadas em uma unidade comportamental (dos líderes).

Se sabemos a estrutura da execução, podemos então focar em um exemplo. Como anteriormente já listei, entre os objetivos do programa gramsciano está a desmoralização e retirada de influência da religião. Neste caso, o neo ateísmo é um movimento que caiu como uma luva, certo? Vários acadêmicos aderiram e cantam, em altos brados, o “orgulho de ser ateu”, e, é claro, não se esquecem de sempre focar na agenda da ridicularização da religião. Notem a declaração de um forista do extinto Orkut (trecho foi coletado na comunidade Ateísmo e Anti-Cristianismo), que obtive, e explica bem essa postura:

“No ritmo das descobertas cientificas, não irá se estender por muito tempo aquilo que precisamos para revelar a origem de tudo. Com isto acontecendo, não tenho dúvidas que os teístas, por mais que queiram relutar pelo seu deus, terão que enfrentar humilhações por não aceitarem uma verdade, porém isto só vai durar enquanto elas vão morrendo, pois as novas gerações já não serão mais educadas com mentiras. […] Acho que uma verdade cientifica afetaria todas as religiões…o mundo inteiro. Não lhe parece que seria vergonhoso para os religiosos, não aceitarem uma verdade e procurar outras formas de crenças? Hoje justifica pela falta respostas, mas e com respostas? Alem de vergonha e humilhação, poderiam ser taxados de burros também. Seria o mesmo que negar que 2+2=4.”

No discurso dessa pessoa vemos, ao mesmo tempo, cientificismo, escárnio (incluindo planejamento de escárnio), ilusão a respeito do que é ciência, tentativa de ampliar a ciência para discutir Deus, uma visão utópica de um futuro onde a ciência explicou tudo (sem necessidade para teologia, epistemologia, etc.), e então DEFININDO como será o julgamento no futuro dos que não conhecerem “a verdade”, como ele mesmo diz.

Notemos, no entanto, que esse discurso agressivo não é a única forma de ataque à religião. Se a estratégia Gramsciana permitir predições, podemos até já ter uma sugestão de novos movimentos culturais no futuro. Como exemplo, que tal o surgimento de uma oposição ecumênica ou ateísta ao neo ateísmo?

Após um certo tempo, a agressividade dos neo ateus geraria rejeição não só dos religiosos mas também de alguns ateus. Isso seria a brecha para a criação dos “ateus amenos pró-religião” ou “espiritualistas ecumênicos” (ou qualquer tranqueria deste tipo), com a aparência pública de dar uma resposta aos neo ateus, dizendo que a religião não é má, e que os neo ateus são radicais demais. Este novo grupo lançaria livros, e criaria um “debate” entre duas posturas sobre religião. Uma ecumênica e a outra neo ateísta. Uma a favor da religião (mas universal), e outra a favor da eliminação da religião. Este novo grupo poderia até estender umas idéias de Daniel Dennett do livro “Quebrando o Encanto” (pois ele, assim como Sam Harris, quer a religião universal). Em termos públicos, estes novos ecumenistas e os anteriores neo ateístas fariam os principais debates, retirando da discussão os cristãos tradicionais. Logo, Richard Dawkins debateria com um desses novos ecumenistas, mas não com William Lane Craig. O público veria “os dois lados” e se sentiria tentado a ir para um dos dois. Obviamente, nos dois casos a religião estaria sendo atacada, mas muitos nem perceberiam.

Isso que mostrei é um exemplo de como a ideologia de Richard Dawkins, em si, não é importante na execução da estratégia gramsciana, mas sim a FUNÇÃO que as ações dele representam no objetivo de atacar a religião. Mas, se for preciso ampliar o ataque, novas estratégias precisam ser desenvolvidas, mesmo com a simulação de debate público entre dois lados “opostos”. Com isso, a estratégia das tesouras, de Lenin, aplicada atualmente na divisão entre liberais e marxistas (na Europa e no Brasil), seria aplicada também a discussão da religião. Na política, seria a existência de grupos que em ambos os casos atingissem os conservadores, e, na religião, seria o mesmo, para atingir os religiosos tradicionais.

O que importa, ao final, para a estratégia gramsciana, é que um dos objetivos seja atingido pela execução da estratégia gramsciana, no âmbito religioso, que é o ataque fundamental à moral judaico-cristã. Portanto, a partir do momento que estudamos a Estratégia Gramsciana, sabemos que o neo ateísmo é um braço direito do movimento revolucionário, mas não é o único participante nessa luta anti-religiosa. Provavelmente, ele terá que dividir terreno com outras variações da anti-religião, ou até distorções da religião.

Outra coisa que é importante é entender que esse suposto cenário, da estratégia das tesouras aplicada à anti-religião, é basicamente descrito como limitação do universo de discussão. Isso pode ocorrer de outras maneiras, como por exemplo, na divulgação que o livro “Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins, teve na imprensa nacional. Uma resposta à altura, como a obra “A Verdade Sobre o Cristianismo”, de Dinesh D’Souza, não teve um décimo da divulgação. É claro que a imprensa nacional (lembrem-se que muitos jornalistas estiveram no cenário acadêmico, e, portanto, alvos potenciais da doutrinação subversiva) tem sua função intelectual, e muitas vezes, por dar atenção excessiva a um, e retirar o espaço de uma outra parte, estão sendo impecáveis executores da estratégia.

Esses todos são apenas exemplos do que pode ser visto no cenário atual. O cinema nacional, por exemplo, visto sob a ótica Gramsciana pode ser interpretado de uma maneira completamente diferente (claramente, é hoje um cinema subversivo, na maioria dos casos). As novelas da Globo, várias matérias de revista, enfoque religioso em notícias (sempre de forma pejorativa), e daí por diante. Em vários níveis a estratégia pode ser executada. Tanto um jornalista marxista ou anti-religioso, como um cineasta que atenda aos mesmos princípios, ambos são igualmente úteis à estratégia. Se a pessoa atua com discussões polêmicas, tentando enfiar a sua ideologia goela abaixo do público. ou se atua no terreno do sutil (quase imperceptível, as vezes), tanto faz para os interessados na execução gramsciana. Ao final, se todos atendem ao ataque das 3 colunas e ao estabelecimento de uma mentalidade que aceite a visão revolucionária, isso significa que a estratégia está sendo executada com sucesso.

A Estratégia Gramsciana não é apenas uma teoria, mas um fato. A simples observação de várias publicações atuais, dos valores morais pregados nas novelas atuais, o excessivo espaço dado a movimentos subversivos em programas de TV e o espaço em mídia dado a livros subversivos e publicações de ódio (incluindo os autores neo ateus), dentre outros fatores, são evidências de que não há mais a ameaça gramscista, e sim um evento corrente, que, de acordo com o atual nível de conservadorismo da sociedade, pode ser contido (mas não eliminado) com maior ou menor facilidade. Uma sociedade mais conservadora, como a americana, tem maiores chances, já a sociedade européia ou a brasileira, está em situação em que a hegemonia já está praticamente consolidada. Se há ainda uma esperança na convivência com os subversivos em um cenário não hegemônico (para eles), essa esperança reside na criação de uma elite intelectual conservadora, que execute algo como uma estratégia “contra-gramsciana”, ou algo do tipo. Isso, é claro, é algo que não ocorre a curto prazo. Mas, se quisermos evitar a hegemonia pretendida por Gramsci, esse é o único caminho efetivo. Enquanto a criação da elite intelectual conservadora não ocorre, é importante tratar da conscientização dos conservadores (não só dentre os intelectuais, mas o povo em geral) que restam, em uma tentativa de reduzir (em parte) o risco dos efeitos de alteração do senso comum dentre esses conservadores, mas não nos que já estão aderentes às ideologias subversivas. Enfim, o mais importante, no momento, é conhecer o inimigo. Então, de início conviver com ele. E, depois, tentar lutar contra. Mas, de novo, sem jamais deixar de conhecer a estratégia dele e como ele pensa.

Como funciona a Revolução Gramsciana

O marxismo cultural defendido por Antonio Gramsci nasceu com a crítica aos métodos insurrecionais violentos utilizados na Rússia e que para ele não seriam propícios na Europa Ocidental. Gramsci projetou a revolução cultural marxista, afirmando que antes de ocupar o Estado por meios funcionais e legais, seria necessário se infiltrar nos órgãos culturais. Assim busca-se justamente uma mudança mental, ou seja, do ensino, que naturalmente levará a uma alteração comportamental na sociedade. Uma vez superada a opinião que essa mesma sociedade tinha a respeito de várias questões, atinge-se o que Gramsci denominava superação do senso comum, que outra coisa não é senão a hegemonia do pensamento, fazendo com que as pessoas aceitassem naturalmente os fundamentos impregnados na ideologia e não oferecessem resistências a revolução.

Ao modificar a estrutura cultural da sociedade, os valores burgueses seriam subvertidos e substituídos pelos valores comunistas de uma sociedade sem classes e sem donos dos meios de produção. A teoria gramscista se debruça sobre uma ideia de revolução muito mais profunda ideologicamente do que a marxista clássica ou do que a marxista-leninista, pois é feita através da inoculação socialista em toda cultura nacional e não da tomada direta do Estado.

A ideia não é somente vencer a burguesia fisicamente, com uma força armada revolucionária que tome as estruturas de poder. Esse exemplo é comum durante o século XX e efetivamente não funcionou, já que embora a subestrutura dos Estados socialistas revolucionários marxistas-leninistas tenha sido radicalmente transformada, a superestrutura internacional ainda era dominada pela burguesia. Prova disso é que a URSS, embora de inspiração inicial marxista-leninista, estava inserida em um sistema internacional de Estados-nação.

Mais tarde, a própria revolução russa é deturpada e o conceito de Estado-nação se une com a experiência soviética, efetivamente provando que esse conceito, anterior ao marxismo e abraçado pela burguesia, permanecia no inconsciente da sociedade.

Gramsci então cria o que muitos autores posteriores, como Max Horkheimer, chamam de “marxismo cultural”. O marxismo cultural é justamente a transformação da sociedade por meio de seus valores e cultura. Uma vez que a superestrutura já estivesse construída, não haveria nenhuma oposição à revolução. Na verdade, o que se imagina é um período de intensa reforma não-revolucionária, sempre dentro das instituições burguesas, mas que por ser constituído de uma sociedade com ideias modificadas, tomaria tons de uma revolução silenciosa, na qual os que não aceitaram a transformação das ideias seriam marginalizados.

Em vez de se extinguir o establishment, o mesmo passa a aderir aos valores comunistas. Não é necessário um partido de vanguarda, já que todos os partidos existentes já seguirão a cartilha cultural implantada, inicialmente em graus diferentes, mas que tenderiam a convergir com o passar do tempo. Esta é a hegemonia cultural gramscista.

No Brasil essa revolução cultural foi grandemente fortalecida no decurso e após a ditadura militar. É certo que os militares, para construir e fundamentar a sua propaganda, se uniram contra o inimigo “comunismo”; entretanto, a história mostra que eles buscavam outorgar um estado de repressão policial, sem visar qualquer doutrinação e hegemonia ideológica característicos dos Estados Totalitários.

Desta maneira, involuntariamente, o governo militar colaborou para que as universidades, o ensino, a imprensa, as manifestações artísticas se tornassem redutos e centro de difusão da ideologia socialista. Enquanto os militares baixavam seus decretos em Brasília, a revolução cultural gramsciana se alastrava a todo vapor nos centros urbanos. Os espólios da esquerda passaram a ser as cadeiras majoritárias em universidades e escolas, bem como os dois grandes partidos políticos existentes: PT e PSDB.

Todas as noções de pedagogia crítica e instrução popular de Gramsci foram teorizadas e praticadas décadas mais tarde por Paulo Freire no Brasil, aquele mesmo que só enxergava “opressores” e “oprimidos” em sala de aula, que defendia o fim da hierarquia do saber e do ensino de conteúdo objetivo, já que os alunos das periferias também trariam seu “conhecimento” para os professores. Enfim, passadas as apresentações evolucionistas históricas e a grande influência desses “teóricos” para a educação brasileira, vejamos os resultados práticos.

O Brasil atingiu duas das seis metas fixadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). As metas não cumpridas dizem respeito a expandir a educação e os cuidados na primeira infância, especialmente para as crianças mais vulneráveis. Garantir acesso igualitário de jovens e adultos à aprendizagem e a habilidades para a vida. Alcançar uma redução de 50% nos níveis de analfabetismo de adultos até 2015 e melhorar a qualidade de educação e garantir resultados mensuráveis de aprendizagem para todos. Outros dados oferecidos pelo mesmo veículo de informação foram os de que a maioria dos alunos brasileiros ficou nos níveis mais baixos de aprendizagem (I e II, em uma escala que vai até IV) nos resultados do Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Terce). Em matemática, 83,3% dos estudantes brasileiros do 7º ano e 60,3% dos que cursavam o 4º ano ficaram nos níveis I e II. Apenas 4% e 12%, respectivamente, tiveram menção máxima, no nível IV, na disciplina. Em leitura, no 4º ano, foram 55,3% nos dois primeiros níveis. Entre os alunos do 7º ano, o índice foi de 63,2%. Em ciências naturais, 80,1% também ocuparam as duas classificações mais baixas.

Não por coincidência e sim um sinal de alerta, a Unidade Escolar Paulo Freire obteve a pior média entre todas as escolas piauienses no exame do ENEM em 2014, ficando entre as 20 piores do Brasil. A escola Paulo Freire obteve apenas 428,82 na média das provas objetivas e com 225,71 na média das redações. No Brasil inteiro, a escola foi a de número 15.622 entre as 15.640 que tiveram as notas divulgadas.

Em resumo, graças aos nossos “patronos” Gramsci e Freire possuímos um sistema educacional primitivo, retrogrado e contrário ao saber, onde alunos se formam sem conhecer a escrita e fazer contas, quando não raro agridem e ofendem seus mestres. Os professores, por sua vez, são em grande maioria despreparados, inseguros e militantes ideológicos que preferem ensinar a “maravilha” do socialismo em vez de uma operação básica de matemática.

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