Obsolescência Programada

Por que os produtos eletrônicos quebram facilmente? Por que trocamos tanto de celular e existem várias versões deles? Se os produtos pararem de funcionar o que compensa mais, consertar ou comprar outro?

De um lado, a tecnologia vai se inovando e produzindo produtos melhores, do outro os produtos vão sendo ultrapassados rapidamente trazendo consequências para o meio ambiente. Contrariando as ações sustentáveis, estratégias de marketing e de incentivo ao consumo são propagadas, cada vez mais. O conceito de obsolescência programada, que é a prática intencional da indústria de diminuir a durabilidade dos produtos, une-se a outras iniciativas que fomentam as compras. Em países desenvolvidos, a vida útil dos eletroeletrônicos já caiu de seis para apenas dois anos.

A prática dos fabricantes de criar e desenvolver seus produtos de modo que eles se desgastem rapidamente e estraguem em um determinado momento no futuro, o que obrigaria os consumidores a terem de sair para comprar um novo e similar produto. Segundo esta teoria, para disfarçar esta obsolescência programada, estes espertos fabricantes fazem algumas mudanças cosméticas no produto para dar a impressão de que houve algum aprimoramento, mas tudo não passa de um mero truque para enganar o consumidor e fazê-lo crer que vale a pena pagar por este item remodelado, quando na verdade ele estaria apenas sendo espoliado, pois estaria pagando duas vezes por aquilo que deveria ser comprado apenas uma vez.

Obsolescência programada é a decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar, distribuir e vender um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto.

A obsolescência programada faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como “descartalização”, e é totalmente nociva ao meio ambiente, sendo considerada uma estratégia não-sustentável. A obsolescência programada faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por outros produtos mais modernos.

A obsolescência programada foi criada, na década de 1920, pelo então presidente da General Motors Alfred Sloan. Ele procurou atrair os consumidores a trocar de carro frequentemente, tendo como apelo a mudança anual de modelos e acessórios. Na tecnologia, empresas como Apple e Microsoft são comumente lembradas por adotarem essa estratégia de negócio em seus produtos e sistemas operacionais, como o iOS (Apple) e o Windows (Microsoft).

Inspirado na Centennial Bulb, lâmpada que continua em funcionamento desde 1901, o espanhol Benito Muros, da SOP (Sem Obsolescência Programada) desenvolveu uma lâmpada de longa durabilidade e recebeu ameaças por conta desta invenção.

De acordo com o documentário The Lightbulb Conspiracy (A Conspiração da Lâmpada), dirigido por Cosima Dannoritzer, fabricantes de lâmpadas se reuniram para definir padrões de produção que aumentariam o consumo. Empresas de variados segmentos produtivos descartaram projetos cujo foco era a durabilidade; designers criaram (e ainda criam; vide os celulares e os notebooks, por exemplo) produtos que ficariam defasados em curto espaço de tempo e chips foram colocados em impressoras para contar o número de impressões, diminuindo-as para pouco tempo.

Aos poucos, além das lâmpadas e impressoras, outros produtos foram ganhando essa mesma tendência; em especial, os eletroeletrônicos e suas múltiplas versões, além da indústria de confecção que “força” uma nova moda e tendência (incluindo estilos e, principalmente, cores de roupas) a cada estação do ano.

Na verdade, a prática da obsolescência programada (proposital curta vida útil) se configura numa maquiavélica estratégia de mercado, tendo em vista que em alguns casos o conserto, propositadamente, é mais caro, o que inevitavelmente faz com que os consumidores não tenham alternativas, a não ser partir para uma nova compra. Isso nada mais é do que uma manipulação das indústrias em prol do ato de consumir. Em outras palavras, é andar na contramão das atitudes sustentáveis, enaltecendo assim um profundo desrespeito das indústrias para com os consumidores, com o planeta e com a natureza.

Baterias proprietárias

Muitos produtos eletrônicos portáteis contêm muitas vezes, baterias à base de lítio. Estas baterias duram apenas cerca de 500 ciclos antes de perder grandes quantidades da sua capacidade. Perdem igualmente capacidade lentamente, quando não são usadas.

Baterias recarregáveis: as de lítio geralmente contêm circuitos integrados (IC), pois estes são necessários por causa do risco de incêndio ou explosão acima da média das baterias quando indevidamente carregadas. O IC mantém o controlo de estatísticas da bateria para determinar o ponto corrente de carga total para esta. Um fabricante pode definir os algoritmos do IC para ser ultra-conservador ou então baseado em ciclos de tempo, ao invés de em torno das propriedades físicas das células da bateria, o que artificialmente limita o tempo de vida útil da bateria. O IC não permitirá que o dispositivo carrege a bateria mais do que o programado.

A produção destas baterias é normalmente travada ao mesmo tempo que o produto é descontinuado, portanto, uma vez tornado inútil o produto, as baterias começam a apresentar desgaste. Algumas pessoas fazem reset nos ICs da bateria, e obtêm novamente quase o tempo total de execução original da bateria (menos a deterioração natural das células desta), só para ter que fazê-lo novamente no futuro porque o IC chegará ao seu limite.

Enquanto as baterias podem ser reconstruídas e equipadas com novas células, esta é, ou muito cara ou muito demorada para a maioria dos consumidores.

Obsolescência sistêmica

Obsolescência Programada sistêmica é a tentativa deliberada de criar um produto obsoleto, alterando o sistema em que é utilizado, de forma a tornar o seu uso continuado difícil. Novo software é frequentemente introduzido sendo incompatível com programas anteriores. Isso torna o software mais antigo, em grande parte obsoleto. Mesmo que uma versão mais antiga de um programa de processamento de texto esteja operando corretamente, pode não ser capaz de ler dados gravados por versões mais recentes. A falta de inter-operabilidade, motiva bastante os utilizadores a comprar novos programas prematuramente. Quanto melhor forem as externalidades de rede no mercado, mais eficaz será esta estratégia. Muitas vezes, os produtores de hardware vão tentar impedir que um produto possa ser compatível com outros mais antigos, cartuchos e tomadas conectáveis.

Outra forma de introdução de obsolescência sistêmica é eliminar o serviço e manutenção de um produto. Se um produto falhar, o utilizador é forçado a comprar um novo. Esta estratégia funciona porque raramente existe terceiros, preparados para executar o serviço se as peças ainda estiverem disponíveis. Tal costuma ocorrer sobretudo devido ao software ser protegido pela propriedade, onde o copyright proíbe a terceiros de realizar alguns tipos de serviço de manutenção. Um exemplo deste tipo de obsolescência é a interrupção da Microsoft do suporte para versões anteriores do Windows e pacotes de serviço mais antigos em versões mais recentes. Outro exemplo é o da introdução recente do Browser Internet Explorer 9 que não funciona no Windows XP (no qual só se pode utilizar até ao navegador IE8). O Apple Inc. ‘s Mac OS X (introduzido na sequência da compra da NeXT em 1997) é baseado em Unix e incompatível com versões anteriores de sistemas operacionais da empresa, apesar de uma camada de compatibilidade fornecida por vários anos.

Esta estratégia pode ter uma consequência involuntária: se um cliente não é dependente de um sistema específico, pode mudar para outro, na esperança de um apoio mais duradouro.

Obsolescência de estilo

O mercado pode ser impulsionado principalmente pelo design estético. Certas categorias de produtos apresentam, neste caso, um ciclo de moda, continuamente introduzindo novos projetos, e re-direcionando ou interrompendo outros, um fabricante pode “montar o ciclo de moda”. Algumas categorias de produtos incluem automóveis (obsolescência de estilo), com um rigoroso calendário anual de novos modelos, a indústria de vestuário quase inteiramente guiada pelo estilo (montando o ciclo de moda), e as indústrias de celulares com constantes aprimoramentos de recursos menores e re-styling.

A Obsolescência Programada de estilo ocorre quando os comerciantes alteram o estilo dos produtos para que os clientes comprem os produtos com maior freqüência. As mudanças de estilo são projetadas para fazer com que os proprietários do modelo anterior, se sintam “fora de moda”. Também é projetada para diferenciar um produto da concorrência, reduzindo assim a concorrência de preços. Um exemplo de obsolescência de estilo pode ser visto na indústria automobilística, em que os fabricantes costumam fazer mudanças de estilo a cada ano ou dois. Como o ex-CEO da General Motors, Alfred P. Sloan declarou em 1941:

“Hoje a aparência de um automóvel é um dos fatores mais importantes no final da venda do negócio, talvez o fator mais importante, porque todos sabem que o carro funcionará”.

Alguns comerciantes vão um passo mais além: tentam iniciar modas ou modismos. Modas ou modismos criados com sucesso incluiram Beanie Babies, Tartarugas Ninja, Cabbage Patch Kids, bonecos de peluche, jeans de lavagem ácida, e até tops. A obsolescência é usada nesses produtos no sentido de que os comerciantes, conscientes dos ciclos de vida reduzidos do produto assim trabalham dentro dessa restrição. Quando a Beanie Babies começou a diminuir a sua receita de vendas, o presidente da empresa Ty Warner decidiu tentar um último empurrão de marketing de Natal e depois deixou cair o produto.

Outra estratégia é aproveitar as mudanças de moda, muitas vezes apelidadas de ciclos de moda. O ciclo da moda é a introdução repetida, a ascensão, apogeu popular, e declínio de um estilo à medida que progride através de vários estratos sociais. Os comerciantes podem “montar o ciclo da moda”, alterando o mix de produtos que dirigem a vários segmentos de mercado. Tal é muito comum na indústria do vestuário. Um certo estilo de vestido será inicialmente destinado a um segmento de mercado muito alto, então, gradualmente, será re-direcionado para os segmentos de menor capacidade monetária. O ciclo da moda pode repetir-se, há casos em que produtos estilisticamente obsoletos, recuperaram popularidade e deixaram de ser obsoletos.

Obsolescência de notificação

Algumas empresas desenvolveram uma versão de obsolescência em que o produto, informa o usuário quando chega a hora de comprar um substituto. Exemplos disso incluem filtros de água que exibem um aviso de substituição depois de um tempo pré-definido e lâminas de barbear descartáveis que têm uma risca que muda de cor. Se o usuário é notificado antes do produto se ter realmente deteriorado ou se simplesmente se deteriorou mais rapidamente do que o necessário, trata-se do resultado da Obsolescência Programada. Desta forma a obsolescência programada pode ser introduzida, para que a empresa não tenha custos no desenvolvimento de um modelo de substituição “mais atualizado”.

Em alguns casos, a notificação pode ser combinada com a desativação deliberada de um produto para impedi-lo de funcionar, exigindo assim ao consumidor o adquirir de um substituto. Fabricantes de impressoras a jato de tinta, empregam chips inteligentes nos seus cartuchos de tinta para impedir que possam ser usados depois de um certo limite (número de páginas, tempo, etc), mesmo que o cartucho possa ainda conter tinta utilizável ou possa ser recarregado. Alguns equipamentos médicos também exploram essa técnica para assegurar um fluxo estável de receitas provenientes da venda de consumíveis de substituição. Trata-se da Obsolescência Programada, na qual que não há componentes aleatórios para o declínio da função.

Obsolescência pela depleção

Quando um produto consome um recurso, como uma impressora de computador consome tinta e papel, é geralmente aceite que tal seja inevitável. Mas alguns produtos também consomem recursos relacionados que não precisam de ser consumidos. Por exemplo, uma impressora a jato de tinta de 4 cores que é usada principalmente para imprimir em escala cinza e raramente tem cores, pode ser pré-programada para esgotar tintas de cores durante a impressão a preto, de modo que os cartuchos coloridos devam ser substituídos aproximadamente ao mesmo tempo que o cartucho de tinta preta.

Este site foi criado por Luís Eduardo Alló (fundador e editor), bacharel em Direito, mineiro de Muriaé – MG e que adora trabalhar na web.

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