Desinformação – Como a mídia manipula o mundo

A desinformação é o remédio dos pobres. A evidência crescente do poder da mídia no Brasil ultrapassa as fronteiras de um mundo civilizado. Acima do bem e do mal, das leis dos homens, da democracia e das instituições, os meios de comunicação pautam debates e prioridades na vida política do país, além de outros debates de seu interesse.

A Internet revoluciona e mexe com a correlação de forças ao estimular a democratização da informação, mas também contribui, e muito, para apresentar a informação fora de contexto, o que dificulta sua compreensão. Muitos números são divulgados e muitos são omitidos. Os fatos são citados sem que se diga em que condições sociais aconteceram. O resultado de tudo isso, é que em qualquer debate já não se entra em considerações que possam acentuar a complexidade de alguma situação, os assuntos importantes são suprimidos, raciocina-se digitalmente e consagra-se a crise de conteúdo.

Até os dias de hoje, se confiou nos jornais como porta-vozes da opinião pública. Entretanto, muito recentemente, alguns de nós nos convencemos, de uma forma súbita e não gradual, de que eles não são isso de modo algum. São, por sua própria natureza, os brinquedos de alguns poucos homens ricos. O capitalista e o editor são os novos tiranos que se apoderaram do mundo. Já não faz falta que ninguém se oponha à censura da imprensa. Não precisamos de uma censura para a imprensa. A própria imprensa é a censura. Os jornais começaram a existir para dizer a verdade e hoje existem para impedir que a verdade seja dita.

O resultado de nosso modelo informativo, massivo e empresarial, é a divisão dos cidadãos em dois tipos: uma grande maioria que consome grandes meios de comunicação de forma não crítica e se transforma em massa de manobra informativa, e uma elite política e intelectual que consegue compreender os elementos fundamentais do mundo. Desta última, uma parte utiliza a informação para tirar proveito, e a outra, a crítica, se vê obrigada a conviver com a impotência de não conseguir que sua mensagem chegue à comunidade cidadã. O objetivo deste artigo é tentar fazer com que o maior número de pessoas abandone o grupo de consumidores passivos de informação e se incorpore a uma cidadania crítica, desconfiada dos meios de comunicação, e que quer conhecer a verdade para, então, ser realmente livre, as pessoas precisam acordar e parar de ler esses jornais de massa, precisam conhecer os fatos reais e verdadeiros e não consumirem mentiras e manipulação da mídia de massa.

Nos jornais e nos noticiários de televisão, cozinha-se de uma maneira muito ruim, mas nossa sociedade devora o alimento lixo com total alvoroço e apetite. E com a maior impunidade. Não há inspeção sanitária informativa, nem dos noticiários é exigida uma etiqueta na qual sejam indicados seus ingredientes ou a sua elaboração, e nada garante que a dose de notícias que ingerimos fora contrastada de maneira adequada.

Quantos produtos informativos conhecemos que foram retirados do mercado pelas autoridades devido à sua má qualidade? A maior parte das notícias que nos chegam é elaborada em resumo, sem crítica e sem contrastá-las, algo que uma fonte interessada contou aos jornalistas. Isto é, o jornalista – em geral muito mal pago, não especializado, com grande pressão de tempo e um contrato precário, com medo de perder o seu emprego – vai a algum lugar informado por alguém que tem interesse em que algo seja conhecido: toma nota do que lhe é contado, muitas vezes não pode fazer perguntas, resume o que é mais chamativo e fácil de entender, e com isso elabora a notícia. Se é mentira, não saberá e nem terá tempo de comprovar antes que a notícia seja divulgada.

Como a manipulação da notícia acontece

Todos os dias, cerca de 4.000 notícias chegam às redações dos grandes meios de comunicação. Como os executivos da mídia decidem o que vão nos informar sobre cada região do mundo? Por que algumas vezes aparecem notícias contraditórias e outras vezes todos se repetem em monocórdio?

A escolha das notícias é o argumento mais contundente para lembrar que não existe a neutralidade nem a imparcialidade informativa. Quando um jornal escolhe para sua capa uma denúncia ou o casamento de algum famoso, por mais aparentemente objetiva que seja a sua apresentação, está tomando uma determinada posição. Por isso, nossa primeira missão deve ser averiguar o mecanismo de seleção das notícias.

Os lugares de difícil trânsito através dos quais o dinheiro e o poder filtrarão as notícias até deixá-las prontas para sua publicação, excluirão as discrepâncias e permitirão que o governo e os interesses privados dominantes difundam uma mensagem adequada para o público.

Trata-se de filtros que nem ao menos os trabalhadores da informação têm consciência de sua existência. Estão convencidos, na maioria, que trabalham com imparcialidade e objetividade. Isto se deve ao fato de que o modelo atual está absolutamente interiorizado.

Em abril de 2008, em Cuba, foi autorizada a compra de aparelhos de DVD, televisão de tela grande ou telefones móveis. Todos os jornalistas, e também os cidadãos, interpretaram isso como um avanço da liberdade dos cubanos.

A liberalização não no sentido econômico, mas no sentido político. Esquecem-se que esse critério de liberdade ignora um detalhe, saibam que a disponibilidade de dinheiro para ter acesso a esses produtos, na maioria dos países não existe. No nosso modelo, chamamos de liberdade a tudo aquilo que podemos fazer se temos dinheiro para tal; portanto, não pode ser liberdade. Os cubanos que não têm dinheiro, não podem adquirir esses produtos, como também não podem os hondurenhos, os mexicanos ou os tailandeses.

A publicidade também desencadeia uma diminuição do nível cultural dos conteúdos, faz que se convoquem audiências, inclusive apelando aos elementos mais miseráveis da natureza humana. Se prestarmos atenção, comprovaremos que o que os meios vendem não é bom conteúdo informativo. Eles vendem audiência, isto é, nos vendem às agências de publicidade. Uma cadeia de televisão oferece anúncios de 20 segundos mais caros que outra porque a primeira tem como principal valor três milhões de espectadores contra um milhão da outra.

Não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz

Os meios mentem? sem dúvida, a mentira é frequente, mas não é excessiva porque os meios sabem que o seu abuso, à medida que muitas vezes é descoberto, faz com que percam uma credibilidade muito difícil de recuperar. os meios não apenas tentam nos dizer o que é importante e como aconteceu, mas além disso também devem nos convencer de que acertam em sua escolha e não mentem. Portanto, se arriscam muito se a falsidade é descoberta.

Os mecanismos de desinformação e manipulação são mais complexos que a mentira grosseira. A propaganda mais eficiente se baseia no ambiente mais do que na falsidade. Ao torcer a verdade, mais que violá-la, utilizando ênfase e outros adereços auxiliares, os comunicadores podem criar uma impressão desejada sem recorrer ao pronunciamento explícito, e sem se afastar demais da aparência de objetividade. O ambiente é conseguido mediante a forma como as notícias são envolvidas, a extensão da exposição, a localização (primeiro plano ou enterrada no interior, artigo principal ou último ), o tom da apresentação (atitude aberta ou pejorativa), as manchetes e fotografias e, no caso dos meios audiovisuais, os efeitos da imagem e do som.

O mundo dos meios se alimentam constantemente. A obsessão pela competitividade é tal que, em muitas ocasiões, se esquecem da realidade para se dedicar, todos ao mesmo tempo, a competir pela mesma notícia. É algo assim como a contra-programação que as cadeias de televisão fazem nos temas não relacionados com os noticiários.

Todos querem explorar a mesma suposta notícia convencidos de que quem não a encontrar será cortado do pelotão. De forma que, embora em um determinado momento estejam acontecendo no mundo vários eventos, todos os meios estarão devotados ao mesmo, é uma falsa importância que dão aquele evento, colocando aquele fato, como algo de interesse nacional, no entanto não tem importância nenhuma para ninguém.

Como os problemas do mundo são omitidos

Os grandes problemas do mundo que poderiam ser resolvidos, são ocultados e omitidos, ou criam sempre uma cortina de fumaça para confundir e desinformar sobre a situação real dos problemas. A fome aparece nos meios de comunicação em determinados momentos e em regiões concretas, sendo apresentada, assim, como uma questão local, mas essa é uma questão global, uma vez que dois terços da humanidade vivem na miséria. Essa miséria é apresentada como um dado estatístico que se assume como um parâmetro a mais a medir em uma situação inevitável.

Os meios de comunicação associam a fome ao clima, a calamidades como a seca ou inundações e, às vezes, também às guerras, e não a uma divisão desigual das riquezas do mundo. As televisões apresentam como acertada e generosa a reação de enviar às regiões em crise os excedentes alimentícios de que dispõem os países ricos. Em troca, não se cria um debate sobre a necessidade de erradicar a miséria mundial e criar modelos de desenvolvimento que acabem com a fome num mundo que produz alimentos suficientes para toda a humanidade.

A linguagem audiovisual não apenas não complementa a escrita, como também neutraliza o raciocínio que a linguagem escrita poderia despertar. o produto televisivo – com suas imagens e sons previamente elaborados e reunidos na produção – tem como objetivo despertar emoções “ignorando” o intelecto.

A intenção por trás desse modelo é despertar com a mensagem o ódio, o drama, a indignação, a rejeição ou a compaixão diante de uma suposta situação informativa sem que se tenha acionado o mecanismo intelectual que nos permita compreender o que está acontecendo na tela. Algumas determinadas imagens com som podem fazer um líder político passar por estúpido ou outro por carismático sem que tenhamos a oportunidade de escutar uma reflexão sua profunda e extensa o suficiente para avaliá-lo adequadamente. Uma cena dramática pode despertar-nos ódio por um determinado bando em conflito sem que tenhamos a mínima ideia de qual é a diferença que enfrenta. O meio televisivo tem a capacidade de transformar em verdade, através da emoção, o que mostra em imagens.

O modelo dominante aprendeu a importância de entrar em nossas mentes com a bandeira da imparcialidade e da neutralidade. A propaganda mais eficiente sempre é distribuída como informação, ou está oculta sob a aparência de informação, dado que as melhores técnicas de manipulação incluem que o sujeito não as perceba como tais e pense que age de acordo com seu próprio critério.

A economia é uma das matérias onde o espectro ideológico dos meios é mais reduzido, cabendo apenas um modelo, o neoliberal, e isso se reflete nos seus conteúdos. Não poderia ser de outra maneira: é esse modelo que permite aos privados ganhar dinheiro. Portanto, a linguagem que abordar questões econômicas estará repleta de intencionalidade mais ou menos oculta.

Para fingir que o Governo está melhorando a economia, (sempre a mesma, a neoliberal) e fazendo reforma, os meios de comunicação usam termos diferentes em diversos países, nos Estados Unidos se chama “reforma da assistência” a destruição dos programas de ajuda às famílias. No leste Europeu, denominaram de “reformas” o desmantelamento do setor público, a desindustrialização. As medidas neoliberais e as reduções nos serviços públicos impostos nos países do terceiro mundo pelas instituições de Bretton Woods, se chamam “reformas do FMI”. Isso tudo é para impor globalmente o neoliberalismo, dando os países democráticos de bandeja aos banqueiros internacionais.

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