Músicas ditando a política de cada época

As músicas que, mais do que qualquer tratado acadêmico, representam e analisam uma determinada época.

Em todas as épocas o Brasil esteve muito bem representado por músicas inteligentes e revolucionárias, infelizmente o setor foi dominado pela banca internacional e por um sistema de comunicação corrupto que é dominado por organizações que querem implementar a globalização e a Nova ordem Mundial, diante de tudo isso, apresento algumas canções que marcaram gerações.

Final dos anos 60

Nessa época, embora se vivesse a ditadura militar, achava-se que os militares voltariam para os quartéis se houvesse pressão social nesse sentido. Era um tempo de sonho, de achar que o mundo poderia ser mudado e que o povo unido venceria. Nenhuma canção marcou tanto essa época de esperança e crítica social quanto Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré.

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Década de 70

A história mostrou que os soldados não estavam tão perdidos assim, tanto que arranjaram um jeito de continuar no poder. Todos sabem o restante do enredo: o AI5 fechou o Congresso, cassou políticos e eliminou os direitos civis. Uma parte da esquerda que acreditava que caminhando e cantando e seguindo a canção conseguiriam mudar a sociedade chegou à conclusão de que as coisas só mudariam através das armas. Começaram as guerrilhas urbanas e rurais, ambas rapidamente sufocadas pelo regime militar. Sem ter o que fazer, os carrascos voltaram sua atenção para qualquer um que discordasse do regime. A tortura chegou aos intelectuais e artistas. A morte do jornalista Herzog é sintomática desse período. Criou-se uma era de terror, em que qualquer um podia ser a próxima vítima dos militares. No final dos anos setenta, embora já houvesse indícios de que a democracia voltaria (inclusive com o governo dos EUA pressionando nesse sentido), ainda havia o medo. A música Cartomante, de Ivan Lins e Victor Martins (mas que ficou famosa na voz de Elis Regina) é a melhor representação desse período.

Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida
Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço
Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias
Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada.

Anos 80

Já estava escrito. O rei ia cair. Não só um, mas todos, o rei de espadas, de ouros e o rei de paus. Era algo inevitável, destino. O início dos anos oitenta trouxe consigo o início da democracia, mas também trouxe uma geração que tinha crescido sob a sombra da ditadura (que na época era chamada de revolução) e que tinha perdido o vínculo com a geração política do passado. As revelações sobre as atrocidades nos países comunistas, aliadas à situação de terror interna, criou uma geração que não sabia o que queria, mas sabia o que não queria. Era a Geração Coca-Cola, eternizada na música da banda Legião Urbana.

Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês nos empurraram
Com os enlatados dos USA, de 9 às 6.
Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês.
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola.
Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis.
Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis.

Como diz a música, esses jovens se sentiam derrubando reis, os mesmos reis que, na canção anterior, iriam cair por força do destino e das cartomantes. Era uma geração criada sob influência dos enlatados, mas que queria cuspir de volta esse lixo em cima dos que mandavam. Era também uma geração que pela primeira vez convivia com a liberdade e que queria aproveitá-la dizendo o que desejava sem meias palavras. Embora não fosse uma geração comprometida com uma ideologia específica, era política num sentido de revolta contra as injustiças.

Anos 90

Veio Sarney, angariou o entusiasmo e depois a decepção do povo e, então, o Collor. E, com ele, uma grave crise social. Nessa época, quase todas as pessoas que eu conhecia estavam desempregadas. Muitas empresas fecharam suas portas. Na área de quadrinhos, praticamente todas as editoras encerraram suas atividades e só sobrou o mercado erótico. Até Maurício de Souza teve dificuldades para continuar no mercado (tanto que as tirinhas da Mônica celebraram a queda de Collor). Na época, mesmo pessoas que tinham emprego fixo ficaram subitamente desempregadas, por conta das privatizações. A música Teatro dos Vampiros, novamente do grupo Legião Urbana, é o melhor símbolo desse período negro. Como dizia a música, os bandidos estavam soltos, o povo não. E todo mundo sentia como se tivesse voltado aos tempos da ditadura, retrocedendo pelo menos dez anos no tempo.

E nestes dias tão estranhos
Fica poeira se escondendo pelos cantos
Este é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair – mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas

Anos 2000

Parece que a falsa democracia tomou conta do poder, os representantes são pessoas corruptas que estão no poder somente para concentrar dinheiro e poder em poucas mãos, enganando o povo, criando uma falsa administração de roubo de todo o dinheiro público, enviando tudo para paraísos fiscais e empresas de fachada utilizando laranjas, parece que a politica atual é uma visão do inferno, as lutas na Ditadura que foram tantas não serviu para termos uma democracia de verdade, hoje em dia a própria imprensa é a censura, temos uma imprensa totalmente vendida e mercenária que domina os meios de comunicação, nem uma música de resistência temos, somos educados por uma falsa escola, o cidadão é completamente alienado e idiotizado por todos os lados, estamos representados por marionetes das bancas internacionais e por supostas organizações internacionais que lutam por liberdade, mas que são uma verdadeira Ditadura.

Qual música representa o nosso tempo? Sinceramente não sei. Estamos sob o niilismo absoluto, seguimos direto para o abismo, sem luta, somente alienação e absurdo.

Acho que deveríamos relembrar a música de Raul Seixas, Cambalache:

“Que o mundo foi e será uma porcaria eu já sei
Em 506 e em 2000 também
Que sempre houve ladrões, maquiavélicos e safados
Contentes e frustrados, valores, confusão
Mas que o século xx é uma praga de maldade e lixo
Já não há quem negue
Vivemos atolados na lameira
E no mesmo lodo todos manuseados
Hoje em dia dá no mesmo ser direito que traidor
Ignorante, sábio, besta, pretensioso, afanador
Tudo é igual, nada é melhor
É o mesmo um burro que um bom professor
Sem diferir, é sim senhor
Tanto no norte ou como no sul
Se um vive na impostura e outro afana em sua
Ambição
Dá no mesmo que seja padre, carvoeiro, rei de paus
Cara dura ou senador
Que falta de respeito, que afronta pra razão
Qualquer um é senhor, qualquer um é ladrão
Misturam-se beethoven, ringo star e napoleão
Pio ix e d. joão, john lennon e san martin
Como igual na frente da vitrine
Esses bagunceiros se misturam à vida
Feridos por um sabre já sem ponta
Por chorar a bíblia junto ao aquecedor

Século xx “cambalache”, problemático e febril
O que não chora não mama
Quem não rouba é um imbecil
Já não dá mais, força que dá
Que lá no inferno nos vamos encontrar
Não penses mais, senta-te ao lado
Que a ninguém mais importa se nasceste honrado

Se é o mesmo que trabalha noite e dia como um boi
Se é o que vive na fartura, se é o que mata, se é o
Que cura
Ou mesmo fora-da-lei”

Próximo

Anterior

Deixe seu comentário

© 2009-2017 Intrometendo | Anuncie | Sobre | Política de Privacidade

Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Alló Digital